Friday, May 18, 2012

[CRÍTICA] THE RITE

Eu sempre considerei exorcismo, como um gênero de filme. Bom, isso acabou. Após assistir The Rite, é óbvio que esse tipo de gênero não existe mais. Não me entenda mal, The Rite não é o pior filme de exorcismo que já vi e também não foi o pior de 2011. Na realidade, não é nem um filme tão ruim. É que o filme não acrescenta nada de novo ou fresco ao exorcismo e, às vezes, essa pode ser a pior coisa em um filme.

O filme gira em torno de Michael Kovak (Colin O’Donoghue), que cresceu junto com o negócio que a família gerencia, nesse caso, uma funerária. Ele odeia esse tipo de trabalho e por isso se matricula em um seminário. Michael está em seu último ano do colégio que é quando os alunos fazem seus últimos votos e entram no sacerdócio, mas ele tem outros planos. Ele envia um e-mail para os superiores do colégio explicando porque ele não quer e não vai fazer seu voto final. Desde que perdeu sua mãe, quando ainda era um garoto, Michael perdeu sua fé e não acredita em Deus. Como é bem mostrado ao longo do filme, os sacerdotes não aceitam um não como resposta e o conselheiro convence Michael a ir a Roma por dois meses para ter algumas aulas de como conduzir apropriadamente um exorcismo.

E por que não, não é? O fato de seu conselheiro essencialmente ameaçar sua bolsa de estudos, ele teria que pegar um empréstimo estudantil e como teria que pagar, ele fecha o negócio e vai. É isso aí, religião organizada. Funciona da seguinte forma, se você não acredita, vamos te ameaçar, intimidar, subornar até você acreditar. E além do mais, devemos realmente acreditar em um seminário? Bom, dane-se.

Michael se dá muito bem em Roma, um quarto livre, tudo bonitinho e tudo que ele precisa fazer é ir para essa aula. Durante todo o curso, permanece cético e sempre pergunta ao sacerdote como se pode ter certeza absoluta de que uma pessoa está passando por uma possessão demoníaca e não por problemas psicológicos.

Ele nunca está satisfeito com as resposta que recebe e em uma cena em particular, resume a opinião do sacerdote:

Então a prova que demônio existe, é de que não pode ser provada.
- acho que isso define a religião majestosamente. Desculpem-me, não vou transformar essa crítica em minha própria diatribe contra a religião.

Claro que o questionamento ao sacerdote e as crenças da igreja não faz com que Michael seja expulso, pelo contrário, é privilegiado com mais informações. O sacerdote vê algo dentro de Michael (essa foi ótima) e pede que ele se encontre com Padre Lucas Trevant (Anthony Hopkins), que já realizou mais exorcismos que qualquer um. Além disso, tem crenças muito radicais e métodos pouco ortodoxos.

No seu primeiro encontro, o padre está realizando um exorcismo em Rosaria (Marta Gastini), uma menina de dezesseis anos que está grávida e que aparentemente parece ter o demônio dentro de si. Depois de testemunhar seu primeiro exorcismo, Michael fica ainda mais cético e convencido que a pequena Rosaria precisa de um psiquiatra e não de um exorcista.

O meio do filme se desenrola como todos os filmes de exorcismo. Eles apresentam evidências convincentes de que, por vezes, aponta que a vítima não está possuída e depois deixam pistas de que ela realmente está possuída por uma força demoníaca. Isso já está ficando velho, do O Exorcismo de Emily Rose para O Último Exorcismo e Caça as Bruxas, todos seguem exatamente esta fórmula e está ficando muito cansativo. Ninguém se candidata a nos oferecer uma nova visão sobre esse assunto?

Então, é nos apresentado uma mudança, onde um dos personagens principais torna-se possuído e de repente, como esperado, se torna obrigatório ter uma cena de exorcismo prolongada. Todos nós sabíamos que isso iria acontecer e eu temia que acontecesse, porque a partir deste momento, eu sabia que não iríamos ter nada de novo. O demônio insulta e ridiculariza a pessoa que está conduzindo o exorcismo, até que finalmente um dos personagens tem o que eu chamo de Momento Rocky. O Momento Rocky é quando em um filme, o personagem passa pela catarse esperada e se torna uma pessoa melhor.

Em todo filme de Rocky, Rocky Balboa está no ringue apanhando, quando de repente se lembra de algo que seu treinador disse, ou vê Adrian na plateia ou sei lá e de repente se revitaliza, vira o jogo e derrota seu oponente.

Eu não quero me apegar muito, mas o personagem tem seu Momento Rocky, acredita nisso, acredita em Deus e em seguida manda o demônio de volta para o submundo. Isso é ridiculamente previsível, não precisa ser nenhum estudioso para notar isso. O personagem começa como um cara que absolutamente não tem nenhuma crença em Deus e acaba se tornando aqueles escoteiros que tiveram um bombeamento intenso da Bíblia.

A mensagem deixada é que a igreja está sempre certa e que com base neste filme, te faria acreditar que existem muitas, mas muitas pessoas por aí que estão possuídas e que precisam de exorcistas, não de psiquiatras. Eu, pessoalmente, não acredito nem por um segundo. A própria história se diz ser baseada em fatos reais, mas só digo uma palavra: besteira. Possessão é tão real quanto à solidão das pessoas. Tão real quanto pessoas solitárias que alegam ser videntes ou quanto às pessoas que afirmaram serem raptadas por alienígenas. Eu não acredito e creio que a maiorias das pessoas racionais também não irão.

Deixando a história de lado, Anthony Hopkins e Colin O’Donoghue tem um desempenho maravilhoso. Às vezes, parece que estou vendo cenas de Hannibal Lecter, mas ele realmente faz o papel do Padre Lucas e faz muito bem.

A cinematografia também é impressionante, a forma de como a beleza de Roma é captada, assim como o tom, a atmosfera e a claustrofobia do filme. Através da cinematografia de Ben Davis foi possível captar a dicotomia da Itália de uma forma fantástica.

Mas, infelizmente, não podemos esquecer-nos da história. Particularmente, não é uma história ruim, é apenas o tipo de história que você já viu milhões de vezes. A apesar das típicas contorções de corpo, pele estranha, vozes profundas dos demônios, não há nada de novo. Está alto e claro durante todo filme que você já viu tudo em algum outro filme.

Você realmente achou que Michael continuaria cético no final do filme? Sério? Mesmo depois de ter uma explicação que São Miguel é o santo que está sempre lutando contra demônios? Faça-me o favor...

The Rite não é o pior filme de exorcismo que já vi. Mas as fórmulas usadas tanto na história, quanto nos personagens, assim como o inevitável Momento Rocky é tão tedioso que a única coisa que você pode fazer e fechar os olhos, se contorcer na cadeira e desejar que este momento acabe.
Credits