Vou pular o papo furado: Este filme é simplesmente espetacular e muito original. Este filme irá desafiá-lo entender exatamente o que está acontecendo e vai desafiar o jeito que você pensa sobre linguagem e como a linguagem afeta o mundo.Pontypool foi escrito por Tony Burgess. O nome completo é Pontypool Changes Everything e faz parte de uma trilogia que Burgess gosta de chamar de Os Livros de Bewdley. A primeira trilogia é The Hellmouths of Bewdley (1997), depois Pontypool Changes Everything (1998) e por fim Caesarea (1999).
Burgess não é um escritor típico, o cara tem uma filosofia por trás das ideias de seus livros, ideias que ele vem examinando há décadas. Como ele próprio escreveu na contra capa de Caesarea:
“Comecei a apresentar ideias no final dos anos setenta e comecei a escrevê-las no inicio dos anos oitenta. Nos anos noventa, comecei a organizar as coisas em livros.”.
Na descrição de The Hellmouths of Bewdley ficou claro que Burgess acredita que há uma forma que a realidade e a ficção procuram que as narrativas ocorrem em desafio das coisas que elas abrigam. É sem dúvida, uma ideia realmente fascinante. Simplificando, a linguagem e as palavras afetam o mundo e a parte verbal procura uma maneira de moldar o mundo de como é falado, independentemente da intenção do protagonista.
Foi ótimo Burgess ter escrito o roteiro de Pontypool, porque eu duvido muito que alguém fosse capaz de captar as ideias centrais, como ele faz. É importante notar, que o livro e o filme são duas coisas completamente diferentes.
Pontypool é dirigido por Bruce McDonald, talvez você o conheça de Hard Core Logo (1996), um documentário em que McDonald segue uma banda de punk em uma turnê. McDonald faz um excelente trabalho com este material e mostra uma incrível quantidade de contenção. Ele toma muito tempo desenvolvendo o caráter dos personagens e criando uma atmosfera razoavelmente pesada. Se tem um filme que cria algo do nada, esse filme é Pontypool (lendo dessa forma, parece que não é algo bom, mas vendo o filme saberá que isso é um grande elogio).
Como a direção do filme é muito boa, o real sucesso do filme repousa inequivocamente sobre as costas do ator Stephen McHattie que interpreta DJ de Rádio, Grant Mazzy. McHattie tem um desempenho surpreendente e rapidamente se tornou, ao menos em minha opinião, um dos maiores atores do gênero.Quando o filme começa, seguimos Mazzy dirigindo ao trabalho para o turno da manhã até a estação de rádio. É apenas outro dia frio e miserável na pequena cidade de Pontypool. Bruce McDonald fez um excelente trabalho criando os personagens (há apenas, três personagens principais), Mazzy, sua produtora (interpretada por Lisa Houle) e sua técnica de rádio (Georgina Reilly). Todos três seguem sua rotina diária de boletins meteorológicos, fechamento de escolas e noticias. Uma nota interessante, é que há apenas 17 atores listados nos créditos, sendo que sete deles são apenas vozes, chamadas pela estação de rádio. De repente, vem um relatório da polícia, que uma multidão se reuniu fora do posto médico. Os relatórios são vagos, mas aos poucos a multidão se torna violenta e todos começam atacando e matando uns aos outros.
O brilhantismo é a situação tensa que ocorre. Nós estamos confinados na estação de radio, assim como os três personagens principais. Nós descobrimos a história, da mesma forma que eles. Não sabemos nada sobre o que está havendo e não demora muito até você sentir uma sensação claustrofóbica. É incrível a capacidade de McDonald construir tanta tensão e suspense. Ele manipula perfeitamente nosso medo do desconhecido, histeria em massa e como a mente precisa se adaptar ao caos que a rodeia.
McDonald fez um ótimo trabalho dando apenas informações necessárias e assim mantendo a tensão alta. Parece que um vírus bem esquisito se espalhou e uma vez que a pessoa é infectada, ela se torna violenta e é obrigada a passar para outras pessoas (o vírus é transmitido, através da linguagem). Entender certas palavra é que faz a replicação do vírus. Então, como as pessoas vão achar a cura? Precisamos parar de entender o significado das palavras. É uma premissa bem complicada, mas é muito bem feita com grandes performances.
Este é um grande filme de suspense e é um filme super inteligente. O filme em si teve um orçamento baixo, isso às vezes deixam pessoas com receio, mas não esse, eu digo não, porque você imediatamente será sugado pela história. Eu categorizaria este filme como um filme de terror metafísico.
Pontypool faz com que você use seu cérebro, mas também não faz você esquecer o gênero do filme e com certeza irá te assustar e deixar entretido. Eu posso te dizer de antemão, esse é um dos filmes de zumbis mais originais que você já viu. Não é recheado de gore, mas possui uma formula que é bem eficaz.